Onde ver a Aurora Boreal

Sem uma tour!!

northern lights aurora borealis

Queres ver a Aurora Boreal em Tromso sem teres de ir numa tour? Tudo o que precisas de saber

Olá. Como sabem fomos numa viagem low cost a Tromso. Na Noruega se não forem ricos e não quiserem gastar todo o vosso salário é bom viajar em modo low cost.

Para além disso nós gostamos da nossa privacidade. E ainda que haja vantagens em ir numa tour para ver a Aurora borealis, nós preferimos arriscar e talvez não ter fotos fenomenais (porque não tinhamos uma câmara decente, apenas telemóveis) mas não partilhar o momento com um grupo de estranhos.

Aqui estão algumas dicas básicas sobre onde ver a Aurora Boreal… e um mapa com os melhores locais.

A Aurora Borealis

Para melhor conhecer algo é preciso entendê-lo.

northern lights aurora borealis

A Aurora Boreal é um fenómeno natural causado por partículas electricamente carregadas que bombardeiam, a altas velocidades, a atmosfera terrestre. Como resultado deste bombardeamento os átomos de oxigénio e nitrogénio emitem luzes – a Aurora. Este processo é semelhante ao dos tubos de luzes néon. O bombardeamento de partículas origina-se no Sol. Como resultado da produção energética do Sol é emitido para o espaço, um fluxo contínuo de partículas eléctricas, ou plasma, denominado vento solar. Este vento solar não só carrega o plasma, mas também o campo magnético do Sol.

Quando o vento solar atinge a Terra, encontra a magnetosfera formada pelo campo magnético da Terra, deformando-a, ao puxá-la pelo lado do dia (Sol) e esticando-a numa longa cauda (cauda magnetosférica) para o lado da noite. Sob certas circunstâncias o vento solar interage com o campo magnético terrestre, de modo a que algumas partículas atinjam a atmosfera terrestre durante o dia nas regiões polares, causando as auroras de dia (que podemos ver em regiões como Svalbard durante o Inverno quando é escuro durante o dia, não sendo nunca tão fortes como as auroras de noite). O vento solar ao soprar em direcção à cauda magnetosférica, origina pressão na mesma que energiza algumas partículas. Estas seguem o campo magnético de volta às regiões polares, atingindo a atmosfera e causando as auroras boreais que observamos à noite.

As regiões onde as patículas finalmente atingem a atmosfera terrestre causando as auroras são denominadas “auroral ovals” (ovais das auroras talvez) e situam-se à volta dos pólos magnéticos norte e sul. Ainda que hoje em dia tenhamos um bom entendimento geral de como as auroras são formadas, alguns detalhes ainda permanecem um mistério. Por exemplo, na realidade não sabemos os pormenores do que acontece na interacção do vento solar com o campo magnético terrestre, ou exactamente o que acontece na região da cauda do campo magnético – http://site.uit.no/spaceweather/aurora-borealis/

Os ciclos solares nas Auroras

Uma vez a cada 11 anos o Sol entre num periodo de máximo solar com bastantes manchas solares de grandes dimensões e actividade solar alta – Ciclo solar. Durante um ciclo solar, o número de manchas solares aumenta até um máximo (Máximo Solar) e cai para um mínimo (Mínimo Solar). Quando há uma erupção no Sol, ela leva entre 1 a 3 dias até atingir a Terra. Quanto maior é a perturbação no vento solar (e a erupção no Sol), mais altera o campo magnético terrestre, causando uma expansão da área oval onde a aurora é vísivel. Deste modo, a ocorrência de auroras está ligada ao nível de actividade solar. O máximo solar beneficia áreas a sul onde a aurora não é vísivel normalmente, não tendo grande impacto nas áreas habituais.

Ainda que existam mudanças constantes no nível de actividade solar, numa visão geral a actividade segue um ciclo de 11 anos. Felizmente isto não significa que a Aurora desapareça no período de mínimo solar. Erupções grandes o suficiente podem causar auroras em qualquer fase. Nós vimos a Aurora Boreal em 2019 – um ano de mínimo solar.

Outro ciclo solar é o de 27 dias. Isto é devido ao facto de as auroras serem mais fortes quando a área activa do Sol está de frente para o Terra. O Sol gira a cada 27 dias, permitindo uma forte aurora nesse dia.
Devido a uma correlação parcialmente inexplicável entre o campo magnético do Sol e o ângulo rotacional do axis terrestre, tendem a existir Auroras particularmente fortes nos meses perto dos equinócios de Primavera e Outono, ou seja em Fevereiro/Março e Setembro/Outubro.

As cores

northern lights aurora borealis

Já todos vimos as fantásticas fotos de auroras verdes. Mas também já vimos fotos em variadas cores – roxo, rosa, azul, vermelho ou mesmo amarelo ou branco. Não, estas fotos não foram editadas no photoshop. A maioria das auroras é predominantemente verde devido a duas razões. A primeira é que o olho humano detecta a cor verde melhor que outras cores. Por isso é que nalgumas fotos da Aurora é possível ver cores que o olho nú não vê. A segunda é que a cor está ligada à altitude na qual as partículas solares colidem com a nossa atmosfera. Diferentes gases mantêm-se a diferentes altitudes e em variadas concentrações e é a colisão que excita estes gases e que determina a cor da aurora.

A variação da cor é um resultado da absorção energética de diferentes elementos químicos da atmosfera a diferentes altitudes. A cor verde e a ocasional vermelha, acima do verde, provêm de átomos de oxigénio. Interacções com nitrogénio produzem vermelho, roxo e ocasionalmente, azul.

O tipo de colisão também influencia as cores que aparecem no céu: nitrogénio atómico causa ventos azuis, enquanto o nitrogénio molecular expressa uma cor roxa. As cores também são afectadas pela altitude. As cores verdes aparecem em áreas até aos 241km, vermelho acima dos 241km, azul até 96,5km e roxo e violeta acima dos 96,5km.

As luzes podem manifestar-se como bandas estáticas de luz ou, quando as erupções solares são particularmente fortes, como cortinas dançantes de cores variadas.

northern lights aurora borealis
Fonte da imagem http://site.uit.no/spaceweather/aurora-borealis/

Como ver as luzes

Quando tentam perseguir um fenómeno natural existem algumas coisas básicas a considerar ao planear a vossa viagem. Onde ver as auroras é secundário, as condições climatéricas são o mais importante.

1 – Metereologia

Este é provavelmente o factor mais importante para ver as luzes. Tentem utilizar sites metereológicos para prever o tempo na altura que vão perseguir auroras. Todos sabemos que não são 100% previsíveis mas ajuda. Procurem céus limpos. Se chover muito ou nevar então vão haver nuvens…e não conseguem ver as luzes com céus encobertos. Não interessam os indíces de actividade auroral se não conseguem ver o céu.

Para a metereologia eu usei ACCUWeather – nós planeámos a viagem com 1 a 2 meses de antecedência e o fim-de-semana que escolhemos acabou por ter o céu limpo, tal como previsto. Por isso eu confio neles. Mas ainda assim aconselho-vos a espreitar mais que um site de modo a melhor escolherem as vossas datas. E obviamente que, quanto maior for a antecedência, mais hipóteses de o tempo mudar.

2 – Previsão da Aurora

Depois de avaliarem a previsão metereológica verifiquem as alturas em que a previsão é óptima. Técnicamente a aurora borealis está sempre presente no céu, acima do círculo polar – área de índex Kp de 0a 2. O índex kp mede a actividade geomagnética numa escala de 0 (baixa) a 9 (alta). Ou seja, supostamente mesmo havendo actividade geomagnética muito baixa, ainda é possível ver auroras nesta área. Se observarem o mapa em baixo, percebem que para ver auroras na Lituânia, o índex teria de ser 7, sendo que acime de kp5 implica uma tempestade geomagnética.

kp index
Fonte da imagem http://www.aurora-service.eu/aurora-school/all-about-the-kp-index/

Mas no norte, o fenómeno do sol de meia-noite resulta num Verão com tanta luz que é muito difícil ver as luzes. Por isso, os melhores períodos vão de Setembro ao fim de Março.

month prediction northern lights aurora borealis
Image source http://site.uit.no/spaceweather/aurora-borealis/

Planeiem a vossa noite! Vejam qual a melhor hora para o espectáculo

Quando chegarem ao vosso destino é bom irem espreitando as previsões. Deste modo podem jantar descansados e fazer planos para a noite. Nós usámos este site (eles baseiam-se neste) de modo a checkar a melhor altura para ver as luzes, uma vez que eles fazem previsões até 4h. É bastante fácil de utilizar, basta localizarem a área onde estão e esperar ate a banda verde estar sobre ela. Essa será uma altura em que haverá auroras visíveis.

3 – Localização

Foi para isto que vieram a este blog…onde ver a aurora boreal!

Primeiramente, o básico é fugir de áreas com luzes. Isto significa fugir do centro das cidades. Por isso um carro é útil. Por muito que possam ter imensa sorte e ver as luzes no centro da cidade, a experiência não é igual. Luzes interferem com a nossa percepção do céu nocturno, e como tal da Aurora borealis.

A aurora é um fenómeno que aparece em áreas específicas no céu. Para terem uma visão ideal procurem áreas com maior visibilidade do céu. Por isso áreas planas ou áreas em terrenos elevados. Tenham cuidado com áreas montanhosas que podem diminuir a quantidade de céu vísivel.

Nós viajámos até Tromsø por isso apenas vos posso dar conselhos sobre este lugar. Mas com o google maps, alguma internet e conselhos dos locais podem encontrar óptimos lugares para verem as luzes sozinhos.

Tromsø

Tromso map where to see northern lights aurora borealis mapa

Ponto Laranja – As paragens mais próximas são as ilhas a norte e oeste de Tromsø , como Kvaløya, Ringvassøya e Sommarøy. Existem lugares óptimos aqui e podem explorar as ilhas. As praias na costa oeste têm uma boa reputação para ver a aurora, desde que não haja luzes por perto.

Ponto Rosa – Se seguirem para sul na estrada 858 podem ter uma bela visão dos céus. Não é fácil encontrar lugares para parar o carro se houver muita neve. Mas nós acabámos por encontrar paragem em estradas secundárias.

Pontos Azuis – Se preferirem ir na direcção oposta, em direcção à Finlândia, vão encontrar sítios maravilhosos ao longo do fiordes. Mas existem áreas com montanhas altas neste percurso, por isso escolham bem. Também é uma boa estrada para ver a fauna local, como renas e alces. E isso é tão espectacular como as auroras.

Curiosidades

Durante milénios as luzes foram alvo de especulação, superstição e temor. Pinturas rupestres em cavernas em França com mais de 30.000 anos retratam este fenómeno.

Em 1616, o astrónomo Galileo Galilei usou o nome Aurora Borealis para o descrever, usando o nome da deusa romana da madrugada, Aurora, e o nome grego para o vento do norte, Boreas.

O fenómeno intrigou e fascinou muitos no passado, e aparece em obras literárias de Aristotle, Descartes, Goethe e Halley.

Ainda que as mais famosas auroras sejam as do norte, o fenómeno também aparece na região polar sul. Estas são as aurora australis, ou luzes do sul. Mas, uma vez que o pólo sul é ainda mais inóspito que o norte, é mais complicado ver as luzes do sul.

Se querem saber como e onde ver a Aurora boreal sem uma tour, sozinhos…vieram ao blog certo 😉

Espero que ajude 🙂 E deixem sugestões e os vossos melhores lugares na secçõs dos comentários.
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